O ouro segue firme. O XAU/USD é negociado em 4409.64 e continua bem acima do suporte que sustentou o mercado ao longo do verão, na região dos 4000.0. É um movimento que não vem de euforia, e sim de uma combinação de risco geopolítico e compra institucional constante.

O que está sustentando o preço?
O conflito no Oriente Médio continua sendo o pano de fundo. A tensão entre Estados Unidos e Irã não dá sinais de solução no curto prazo, e desde o início da semana chegaram relatos de novos ataques mútuos e de intensificação dos bombardeios de houthis iemenitas contra instalações de energia na Arábia Saudita.
Há um detalhe logístico que pesa bastante aqui: o Estreito de Ormuz, principal rota de escoamento de petróleo do Golfo Pérsico, segue praticamente bloqueado. Com menos petróleo circulando, o barril encarece, e petróleo caro costuma empurrar a inflação global para cima. É justamente esse cenário que mantém o interesse em ouro como proteção.
O comprador que não para:
- O Banco Popular da China aumentou suas reservas em 650,0 mil onças troy no mês passado.
- O estoque total subiu para 76,73 milhões de onças troy.
- Em valor, isso equivale a 350,08 bilhões de dólares.
- Esse é o vigésimo segundo mês consecutivo de compras.
A leitura por trás do número é simples: os bancos centrais vêm trocando dólar por ouro há anos. A fatia da moeda americana nas reservas mundiais caiu de 72,0% em 2000 para cerca de 57,0% hoje. É uma mudança lenta, mas que cria uma demanda de fundo constante pelo metal.
O que pode atrapalhar:
Do outro lado da balança está o Federal Reserve. A reunião de setembro sobre política monetária é o principal evento de curto prazo para o par, e o tom dos dirigentes tem sido duro. Com a inflação americana acima da meta de 2,0% pelo quinto ano seguido, a ferramenta FedWatch da Bolsa Mercantil de Chicago aponta 60,0% de chance de alta de 25 pontos base nos juros.
Por que isso importa? Juro mais alto torna o dólar e os títulos americanos mais atrativos, e o ouro, que não paga rendimento, perde parte do apelo. É esse o principal freio para uma continuação da alta agora.
Volume ainda morno:
- Em 4 de setembro foram registradas 219,7 mil posições em contratos futuros e 61,6 mil contratos de opções.
- Esses números seguem abaixo das médias de agosto e praticamente repetem as sessões anteriores de setembro.
Ou seja, o mercado está sustentado, mas sem entrada agressiva de dinheiro novo. É um sinal de cautela antes da decisão do Fed.
Análise Técnica:
No gráfico diário, o preço está fazendo uma correção logo acima da borda inferior do canal ascendente desenhado no gráfico, aquele que vem delimitando o movimento entre 4830.0 e 4300.0. Enquanto o preço respeitar essa linha de baixo, a estrutura de alta continua válida.
Os indicadores ainda apontam compra, mas com menos convicção do que antes. As médias móveis de curto prazo seguem acima das de longo prazo, o que mantém a leitura positiva, enquanto o indicador que mede a força do movimento passou a desenhar barras corretivas em terreno positivo. Traduzindo: o mercado ainda está do lado comprador, só que perdeu um pouco de fôlego no caminho.
- Resistências: 4480.0 e 4680.0.
- Suportes: 4310.0 e 4050.0.
Cenários de Trading:
Compra: a entrada comprada faz sentido depois que o preço subir e se firmar acima de 4480.0, com alvo em 4680.0. Stop Loss em 4380.0. Prazo de realização: 7 dias ou mais.
Venda: a entrada vendida ganha força se o preço cair e se firmar abaixo de 4310.0, com alvo em 4050.0. Stop Loss em 4410.0.
Conclusão Rápida:
O ouro tem hoje um piso sólido, formado pela demanda constante dos bancos centrais e pelo risco no Oriente Médio, e um teto formado pela expectativa de juros mais altos nos Estados Unidos. Por isso o movimento atual é de correção dentro da alta, e não de reversão. A confirmação vem com o rompimento dos 4480.0. Trabalhe sempre com Stop Loss definido.
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