A prata segue em correção. O XAG/USD trabalha na casa dos 60.00 e dá continuidade ao recuo que começou no fim de agosto, sem conseguir até agora encontrar um piso que convença o mercado. É um movimento de desaceleração, não de pânico, mas que já dura algumas semanas.

O que está pesando sobre o metal?
O principal peso vem dos juros americanos. O rendimento dos títulos do governo dos Estados Unidos com prazo de 10 anos chegou a 5,308%, o maior nível em 25 anos. Isso importa muito para a prata por um motivo simples: metais preciosos não pagam juros. Quando um título americano passa a render mais de 5% ao ano, manter dinheiro parado em prata fica caro em termos de oportunidade, e parte dos investidores migra.
E esse movimento tem respaldo na política monetária:
- A ata da reunião de setembro mostrou um Federal Reserve mais duro do que o mercado esperava.
- O banco central americano elevou a taxa de juros em 25 pontos base, o primeiro aumento em três anos.
- Todos os 19 membros do comitê de política monetária apoiaram o aperto.
- A maioria dos dirigentes defende novas altas no custo do crédito até o fim do ano.
Ou seja, não é um movimento isolado. O mercado trabalha com a ideia de que os juros ainda podem subir mais, e isso cria um teto natural para os metais.
E a geopolítica, não deveria ajudar?
Em tese, sim. O cenário no Golfo Pérsico continua tenso, com relatos de operações militares em território da Arábia Saudita e notícias de que os houthis iemenitas voltaram a controlar boa parte da costa leste do Mar Vermelho, na região do estreito de Bab el-Mandeb, retomando posições das quais haviam sido expulsos poucos dias antes pelas forças governamentais.
Normalmente esse tipo de notícia empurra metais preciosos para cima, porque o investidor busca proteção. O que está acontecendo agora é que essa busca por proteção está indo quase toda para o ouro, e sobrando pouco para a prata.
A distância entre ouro e prata:
- No fim de agosto, a relação entre os dois metais chegou perto de 1:70.
- Atualmente está em 1:68.
- A média dos últimos meses é de 1:61.
Traduzindo: são necessárias hoje cerca de 68 onças de prata para comprar uma onça de ouro, bem acima do normal recente. O ouro vem se movendo com mais força, e os investidores de prazo mais curto não demonstram pressa em apostar que essa diferença vai encolher.
O volume também está encolhendo:
Os dados da Bolsa Mercantil de Chicago (CME Group) mostram queda gradual na negociação de metais preciosos desde o início de outubro, com os números voltando às mínimas do verão.
- Em 6 de outubro foram registradas 31,9 mil posições em contratos futuros.
- Em 28 de setembro, esse número era de 70,7 mil posições.
- As opções somaram 4,4 mil operações, contra uma mediana de 8,5 mil em setembro.
Menos gente operando significa menos combustível para uma reversão rápida. É um sinal de desinteresse, não de acumulação.
Análise Técnica:
No gráfico diário, o preço segue abaixo da linha de resistência do canal descendente de longo prazo, aquele canal amplo desenhado no gráfico que vem guiando o movimento há meses. Enquanto a cotação respeitar esse teto, a tendência de fundo continua sendo de baixa.
Os indicadores mantêm um sinal de venda, embora ainda instável. As médias móveis de curto e de longo prazo seguem com a faixa de oscilação inalterada e apontadas para baixo, o que mostra ausência de força compradora. Já o indicador que mede a força do movimento vem formando barras de correção abaixo da linha central, ou seja, o que aparece é apenas um respiro dentro de um movimento de queda, e não uma virada.
- Resistências: 61.60 e 70.00.
- Suportes: 58.40 e 51.40.
Cenários de Trading:
Venda: a entrada vendida faz sentido depois que o preço cair e se firmar abaixo de 58.40, com alvo em 51.40. Stop Loss em 62.00. Prazo de realização: 7 dias ou mais.
Compra: a entrada comprada só ganha força se o preço subir e se firmar acima de 61.60, com alvo em 70.00. Stop Loss em 57.00.
Conclusão Rápida:
A prata está pressionada por juros americanos nas máximas de 25 anos, um banco central americano disposto a apertar mais e um volume de negociação em queda. A tensão no Golfo Pérsico até ajudaria, mas o dinheiro de proteção está indo para o ouro. Enquanto o preço não recuperar os 61.60, o caminho de menor resistência continua sendo para baixo, com atenção ao suporte de 58.40. Trabalhe sempre com Stop Loss definido.
#XAGUSD #SILVER #Prata