O petróleo Brent segue em movimento de correção dentro de uma tendência maior, trabalhando um pouco acima da marca de 101.00. O que está sustentando esse patamar não é demanda forte, e sim risco: o Golfo Pérsico voltou a ficar quente, e isso aparece direto no preço do barril.

O que está empurrando o preço?
O fluxo de navios pelo Estreito de Ormuz praticamente voltou ao normal, mas transportar petróleo por ali continua perigoso. Esse risco tem preço: o prêmio cobrado pelo frete está na casa dos 30,0 dólares por barril, e esse valor já está embutido nas cotações. É basicamente o que mantém o Brent acima dos 100.00.
E os fatos reforçam esse clima:
- A agência iraniana Fars informou que vários petroleiros foram atingidos por minas ao tentarem cruzar a parte sul do estreito sem autorização de Teerã, com os equipamentos de identificação desligados.
- Na Arábia Saudita, os houthis do Iêmen seguem atacando o Aeroporto Internacional Rei Khalid, em Riade. Um dos ataques provocou o incêndio de uma aeronave da Saudi Arabia Airlines.
Estoques nos Estados Unidos:
Os relatórios semanais de estoque vieram na direção de quem compra, mostrando queda nas reservas:
- O Instituto Americano de Petróleo (API), depois de registrar alta de 1,019 milhão de barris na semana anterior, apontou agora uma redução de 2,090 milhões de barris.
- A Administração de Informação Energética (EIA) mostrou movimento parecido: a queda passou de 0,922 milhão para 3,186 milhões de barris.
Vale um contexto aqui: é a terceira semana seguida em que esses números se comportam de forma parecida, sem sustos para nenhum dos lados. Ou seja, estoque caindo, mas de forma comportada, sem indicar escassez.
Quem está no mercado:
Os dados da Bolsa Mercantil de Chicago (CME Group) mostram atividade alta e estável.
- Em 7 de outubro, os contratos futuros somaram 986,3 milhões, praticamente no mesmo nível da semana anterior.
- As posições em opções ficaram em 136,0 mil, um pouco abaixo da média de setembro, que foi de 150,0 mil.
A leitura é simples: o interesse pelo ativo continua grande, mas sem aquele excesso de proteção que costuma aparecer quando o mercado espera uma virada brusca.
Análise Técnica:
No gráfico diário, o Brent está subindo e se mantém dentro do canal de alta desenhado na imagem, cujas bordas vão de 94.50 na parte de baixo até 112.00 na parte de cima. O preço se firmou acima da linha que vinha servindo de limite para o movimento, e isso é o que dá força ao cenário comprador.
Os indicadores acompanham essa leitura:
- As médias móveis de curto prazo estão acima das de longo prazo e já começaram a se afastar delas, o que costuma indicar que a alta tem espaço para continuar.
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O indicador que mede a força do movimento segue em território positivo, mas vem formando barras menores, sinal de que o mercado está respirando antes de decidir o próximo passo.
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Resistências: 104.40 e 111.80.
- Suportes: 99.20 e 92.30.
Cenários de Trading:
Compra: a entrada comprada faz sentido depois que o preço subir e se firmar acima de 104.40, com alvo em 111.80. Stop Loss em 101.00. Prazo de realização: 7 dias ou mais.
Venda: a entrada vendida ganha força se o preço cair e se firmar abaixo de 99.20, com alvo em 92.30. Stop Loss em 103.00.
Conclusão Rápida:
O Brent está sendo sustentado muito mais pelo risco geopolítico do que por um aperto real de oferta. Enquanto o prêmio de risco continuar embutido no frete, o barril tende a se segurar acima dos 100.00. A confirmação de uma perna mais forte de alta só vem com o rompimento dos 104.40. Abaixo de 99.20, o cenário muda de lado. Trabalhe sempre com Stop Loss definido.
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