A prata segue firme. O movimento de alta que começou no fim de julho continua em pé, e o XAG/USD é negociado agora na casa dos 68.00, depois de marcar ontem um novo pico local em 69.00. É um mercado que vem subindo de forma consistente, sem grandes solavancos, e que agora se aproxima de uma zona importante logo acima.

O que está sustentando essa alta?
O principal ponto é a tensão no Golfo Pérsico. O conflito entre Estados Unidos e Irã voltou a escalar, com novas trocas de ataques, e a Guarda Revolucionária Islâmica intensificou as ações contra navios que tentam cruzar o Estreito de Ormuz, onde o tráfego já estava reduzido ao mínimo. Em momentos assim, o investidor procura ativos considerados mais seguros, e os metais preciosos costumam ser os primeiros da fila.
Do lado dos juros americanos, a leitura pede um pouco mais de cautela:
- O rendimento do título de 10 anos dos Estados Unidos atingiu 4,822%, a máxima em três anos.
- O Tesouro americano anunciou hoje que pretende triplicar o volume de recompra de títulos de prazo mais longo, chegando a 6 bilhões de dólares.
Traduzindo: comprar os próprios títulos de volta tende a pressionar os rendimentos para baixo, e rendimento menor favorece metais preciosos, já que ouro e prata não pagam juros e ficam mais competitivos quando a renda fixa rende menos. Mas atenção: o volume anunciado é modesto diante do tamanho do mercado, então dificilmente ele sozinho inverte a tendência de alta dos juros. Ou seja, esse é um apoio pontual para a prata, não um motor.
Prata e ouro: a diferença que chama atenção
Vale olhar para a relação entre os dois metais, que mostra quantas onças de prata são necessárias para comprar uma de ouro:
- No fim de agosto, essa relação chegou a 1:70.
- Hoje está em 1:65.
- A média dos últimos meses fica em torno de 1:60.
A ideia é simples: o ouro vinha se valorizando mais rápido do que a prata. Como a média histórica recente é menor, investidores de prazo mais curto podem apostar no fechamento dessa diferença, comprando prata. Isso costuma dar uma força extra ao XAG/USD.
Quem está comprando
Os dados da Bolsa Mercantil de Chicago mostram um esfriamento recente no interesse:
- Em 8 de setembro, o número de posições em contratos futuros ficou em 59,0 mil.
- O pico havia sido de 101,2 mil posições em 28 de agosto.
- Nas opções, foram 4,5 mil operações, abaixo da média de agosto, de 7,6 mil.
Ou seja, o volume que vinha crescendo na segunda quinzena de agosto voltou ao patamar médio do verão americano. O preço sobe, mas com menos gente participando do que no auge do mês passado. É um sinal para acompanhar, não para se assustar.
Análise Técnica
No gráfico diário, o preço ainda está abaixo da linha superior do grande canal de baixa desenhado na imagem, aquele que vai se estreitando com limites em 77.00 e 50.00. Enquanto a cotação não superar esse teto, a leitura é de recuperação dentro de um cenário maior de correção, e não de tendência de alta plenamente confirmada.
Os indicadores seguem apontando compra:
- As médias móveis de curto e de longo prazo continuam abertas entre si e direcionadas para cima, o que mostra que o movimento ainda tem espaço.
- O indicador que mede a força do movimento forma barras de correção, mas permanece em terreno positivo, sinal de respiro dentro da alta e não de reversão.
Níveis para acompanhar:
- Resistências: 69.60 e 77.00.
- Suportes: 64.70 e 57.10.
Cenários de Trading
Compra: a entrada comprada faz sentido depois que o preço subir e se firmar acima de 69.60, com alvo em 77.00. Stop Loss em 67.00. Prazo de realização: 7 dias ou mais.
Venda: a entrada vendida ganha força se o preço cair e se firmar abaixo de 64.70, com alvo em 57.10. Stop Loss em 67.00.
Conclusão Rápida
A prata tem a seu favor a tensão geopolítica e o espaço para reduzir a distância em relação ao ouro. Contra ela, os juros americanos em máxima de três anos e um volume de negociação que perdeu fôlego nos últimos dias. O ponto de decisão está em 69.60: acima disso, o caminho para 77.00 se abre. Abaixo de 64.70, o cenário vira. Trabalhe sempre com Stop Loss definido.
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