O Brent voltou a subir e negocia um pouco abaixo da marca dos 100.00. O movimento de correção que vinha dominando o mercado perdeu força, e o que empurrou os preços para cima nas últimas sessões foi um só assunto: o agravamento do conflito no Oriente Médio. Os volumes de negociação continuam altos, sinal de que há gente de verdade posicionada, e não apenas um repique isolado.

O que está mexendo com o preço?
A tensão geopolítica no Golfo Pérsico segue no centro das atenções, mas com uma mudança importante em relação ao que se via meses atrás. O principal risco para o fornecimento de energia já não vem do medo de um bloqueio do Estreito de Ormuz. Faz quase um mês que o foco se deslocou para o Mar Vermelho.
- Os houthis do Iêmen mantêm uma ofensiva terrestre em larga escala e, na véspera, atacaram o aeroporto internacional de Riad e uma instalação da Saudi Aramco, a petrolífera estatal saudita, em Jeddah.
- A Organização de Comércio Marítimo do Reino Unido (UKMTO) informou que três petroleiros foram alvo de disparos na região do estreito. Dois transportavam petróleo e um levava gás natural liquefeito.
- Assim como nos episódios anteriores, não há confirmação de quem realizou o ataque.
A leitura é simples: quando navios que carregam combustível viram alvo, o mercado passa a embutir um prêmio de risco no preço do barril, porque a chance de o produto não chegar ao destino aumenta.
Estoques americanos no radar
Os dois relatórios semanais de reservas de combustível nos Estados Unidos ficam no caminho do mercado agora.
- O Instituto Americano do Petróleo (API) divulga seus números hoje, às 22h30 (GMT+2). Depois de uma alta de 1,019 milhão de barris na semana passada, a expectativa é de mais um avanço, na casa de 1,000 milhão de barris.
- A Administração de Informação Energética do Departamento de Energia (EIA) publica amanhã, às 16h30 (GMT+2). Após um aumento de 0,922 milhão de barris, os dados podem apontar queda de 0,300 milhão.
Juntando as duas leituras, o que se desenha é a continuidade de um quadro neutro, que já dura três semanas seguidas. Estoques subindo pesariam no preço, estoques caindo dariam apoio, mas por ora um movimento compensa o outro.
Quem está no mercado
Os volumes voltaram a crescer. Segundo a Bolsa Mercantil de Chicago (CME Group), em 2 de outubro havia:
- 1,08 milhão de contratos futuros em aberto.
- 180 mil contratos de opções, perto do pico de setembro, que foi de 200,0 mil.
Ou seja, o interesse dos investidores está próximo das máximas recentes, o que costuma dar mais consistência aos movimentos de preço.
Análise Técnica
No gráfico diário, o preço está em alta e caminha dentro do canal ascendente global desenhado no gráfico, que vai de 95.00 na base até 112.00 no topo. O Brent ainda negocia abaixo da linha superior desse canal, então há espaço para subir sem que o movimento perca a lógica.
Os indicadores reforçam o lado comprador. As médias móveis de curto prazo estão posicionadas acima da média mais lenta e se afastando dela, o que indica tendência de alta ganhando distância. Já o indicador que mede a força do movimento vem formando barras de correção, mas segue em terreno positivo, o que mostra uma pausa dentro da alta e não uma reversão.
- Resistências: 102.00 e 109.00.
- Suportes: 97.30 e 89.60.
Cenários de Trading
Compra (BUY STOP, prazo semanal): a entrada comprada faz sentido depois que o preço subir e se firmar acima de 102.00, com alvo em 109.00. Stop Loss em 99.00. Prazo de realização: 7 dias ou mais.
Venda (SELL STOP, prazo semanal): a entrada vendida ganha força se o preço cair e se firmar abaixo de 97.30, com alvo em 89.60. Stop Loss em 101.00.
Conclusão Rápida
O Brent reagiu à escalada do conflito e recuperou a direção de alta, com volume consistente por trás. Os estoques americanos seguem num padrão neutro e não devem, sozinhos, mudar o rumo do mercado. A chave está em 102.00: enquanto o preço não romper e se firmar acima desse nível, a alta continua sendo uma recuperação em construção dentro do canal. Trabalhe sempre com Stop Loss definido.
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