O Brent voltou a mostrar força. Depois de renovar a máxima em 106.00 ontem, o barril passou a trabalhar um pouco abaixo dos 105.00, num movimento de correção que parece mais uma pausa para respirar do que uma reversão. O tom da semana é claro: risco geopolítico de volta ao centro das atenções.

O que está empurrando o petróleo para cima?
A tensão no Golfo Pérsico voltou a mexer com o mercado, e os volumes negociados subiram bruscamente por causa disso. Além da troca contínua de ataques entre Estados Unidos e Irã, entrou um novo elemento na conta: o Mar Vermelho. Os houthis lançaram uma grande ofensiva terrestre e tomaram a cidade portuária iemenita de Mocha, um ponto estratégico porque permite controlar a navegação no estreito de Bab el-Mandeb.
Por que isso importa tanto? Porque Bab el-Mandeb é justamente a rota alternativa usada quando o tráfego de petróleo precisa desviar do Estreito de Ormuz. Se os dois caminhos ficarem comprometidos ao mesmo tempo, o fornecimento mundial de “ouro negro” sente na hora. Segundo as notícias, os grupos militares já estão a 60 quilômetros da costa.
Estoques e demanda:
Do lado dos fundamentos, o quadro é de ajuste gradual, sem sustos.
- Pelos dados do Instituto Americano de Petróleo (API), depois de uma queda de 2,600 milhões de barris na semana anterior, as reservas recuaram mais 0,300 milhão de barris.
- Pelas estatísticas da Administração de Informação Energética do Departamento de Energia dos EUA (EIA), a queda passou de 4,450 milhões para 0,391 milhão de barris.
Ou seja, os estoques continuam caindo, só que em ritmo bem mais lento. É o sinal típico de um mercado que vem drenando o excesso de produção acumulado e caminha para um equilíbrio mais saudável.
Quem está comprando:
O movimento aparece também no volume de contratos. Pelo relatório da Bolsa Mercantil de Chicago (CME Group), em 9 de setembro:
- Foram registrados 1,11 milhão de contratos futuros de petróleo.
- As posições em opções somaram 258,0 mil contratos, superando a média de agosto em 168,0 mil.
Atividade estável e crescendo no começo do mês. Não é euforia, é participação consistente.
Análise Técnica:
No gráfico diário, o preço vem subindo dentro do canal ascendente de longo prazo desenhado no gráfico e agora se aproxima da linha superior desse canal. Esse é o ponto de atenção: enquanto o Brent não conseguir furar esse teto, o mais provável é que o mercado siga fazendo correções curtas dentro do próprio canal.
Os indicadores reforçam o sinal de compra. As médias móveis de curto prazo estão acima da linha de referência e se afastando dela, o que costuma indicar que a alta ainda tem espaço para andar. Já o indicador que mede a força do movimento vem formando barras corretivas em terreno positivo, ou seja, o impulso perdeu um pouco de intensidade, mas continua do lado dos compradores.
- Resistências: 106.80 e 113.70.
- Suportes: 102.20 e 94.50.
Cenários de Trading:
Compra: a entrada comprada faz sentido depois que o preço subir e se firmar acima de 106.80, com alvo em 113.70. Stop Loss em 102.00. Prazo de realização: 7 dias ou mais.
Venda: a entrada vendida ganha força se o preço cair e se firmar abaixo de 102.20, com alvo em 94.50. Stop Loss em 106.00.
Conclusão Rápida:
O Brent tem hoje uma combinação que favorece os compradores: risco geopolítico crescente em duas rotas marítimas críticas, estoques em queda e volume de negociação em alta. O que falta é o rompimento dos 106.80 para abrir caminho rumo à faixa dos 113.70. Enquanto isso não acontece, o cenário segue de alta em construção, com correções pelo caminho. Trabalhe sempre com Stop Loss definido.
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