O Brent aparece com uma alta leve nesta terça, 7 de julho, dando sequência a um fôlego comprador ainda meio inseguro da semana passada. No momento em que escrevo, o par testa o rompimento de 72.50 para cima, enquanto o mercado segue de olho no processo frágil de negociação no Oriente Médio.
E a tensão voltou a esquentar. Na segunda, 6 de julho, forças iranianas dispararam pelo menos dois mísseis contra navios mercantes que passavam pelo Estreito de Ormuz, segundo o portal Axios citando autoridades americanas. O ataque veio logo depois que expirou um acordo de uma semana entre EUA e Irã para suspender as hostilidades no estreito. Os militares americanos já cogitam responder com ataques a alvos iranianos, e ainda avaliam que o Irã estaria preparando terreno para cobrar uma espécie de pedágio pela passagem. Tudo isso no meio das cerimônias de luto pelo funeral do antigo líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, marcadas por um tom de vingança contra EUA e Israel. Trump reforçou o clima ao dizer que Washington faz um acordo com Teerã ou “leva até o fim”, renovando as ameaças. A rodada de negociação indireta em Doha, na semana passada, terminou sem grande avanço.
Do outro lado, o que também deu suporte ao preço foi a última reunião da OPEP+. Sete países do cartel (Cazaquistão, Arábia Saudita, Rússia, Iraque, Kuwait, Argélia e Omã) decidiram no domingo aumentar a produção de agosto em 188 mil barris por dia. É o quarto aumento mensal seguido, e o grupo confirmou que quer compensar todo o volume excedente produzido desde janeiro de 2024. Só que aqui mora um risco: a Arábia Saudita cortou de forma brusca o preço oficial do seu Arab Light para a Ásia, a maior queda em mais de duas décadas, e os Emirados elevaram a produção de junho a mais de 3,8 milhões de barris por dia, o maior nível desde abril de 2020. Analistas alertam que isso pode ser o começo de uma guerra de preços no Golfo Pérsico.
Nos dados, os estoques comerciais de petróleo dos EUA caíram 3,775 milhões de barris, o menor nível desde setembro de 2018. Seria um sinal positivo para o preço, mas veio abaixo dos 5,1 milhões que o mercado esperava e acabou ofuscado pela geopolítica. Entre os bancos, o tom segue pessimista: o Citigroup vê o Brent caindo para 60 a 65 dólares até o fim do ano conforme Ormuz normaliza, o Goldman Sachs cortou a projeção do quarto trimestre de 90 para 80 dólares, e uma corretora chinesa aposta na faixa de 65 a 80 dólares em julho.
Análise técnica
No gráfico diário, as Bandas de Bollinger viram na horizontal e a faixa de preço está se estreitando rápido, o que reflete um mercado indeciso no curtíssimo prazo. O MACD vem subindo e mantém um sinal de compra relativamente firme, com o histograma acima da linha de sinal. Já o Estocástico mostra alta mais consistente e está mais ou menos no meio da sua faixa, ou seja, ainda tem espaço para uma correção de alta nos próximos períodos.
Níveis de suporte e resistência
Resistências: 74.00, 77.00, 80.00, 82.64.
Suportes: 72.00, 70.00, 68.00, 66.00.

Cenários de trading
Long: abrir depois que 74.00 for rompido com firmeza para cima, com alvo em 80.00 e stop em 71.00. Prazo de 2 a 3 dias.
Short: se 74.00 rejeitar como resistência e o preço romper 72.00 para baixo, abrir com alvo em 68.00 e stop em 74.00.
Cenário mais provável: o quadro técnico pende levemente para o lado comprador no curto prazo. MACD e Estocástico apontam para cima, e enquanto Ormuz seguir sob risco, o prêmio geopolítico segura o preço. Mas é uma alta com prazo de validade: se a tensão no Golfo arrefecer e a guerra de preços da OPEP+ ganhar corpo, o pano de fundo dos bancos aponta para baixo. Ou seja, o long vale para o pulo curto, mas o vento de médio prazo ainda sopra contra.
Conclusão
O petróleo está preso num cabo de guerra: de um lado, os mísseis em Ormuz empurram para cima; do outro, a OPEP+ abrindo as torneiras e os grandes bancos apontando para baixo. O gráfico diz para comprar o repique, mas o fundamento avisa para não casar com a alta. A pergunta é qual das duas forças cansa primeiro.