O ouro deu uma boa subida no começo do mês e cortou uma sequência de quatro semanas no vermelho. Valorizou cerca de 2% e chegou na linha média das Bandas de Bollinger, em 4150.00. O empurrão veio de uma expectativa cada vez menor de aperto monetário por parte do Fed.
E olha o que segurou essa expectativa: os dados de emprego dos EUA em junho vieram fracos. As vagas fora do setor agrícola despencaram para 57 mil, quase metade das 110 mil esperadas, e o número de maio ainda foi revisado para baixo, de 172 mil para 129 mil. O desemprego caiu de 4,3% para 4,2%, mas por um motivo torto: menos gente participando da força de trabalho. Com isso, segundo o FedWatch da CME, a chance de alta de juro na reunião de setembro recuou de 60% para 55%, e o dólar sentiu o golpe. Na quarta, às 20:00 (GMT+2), saem as atas da última reunião do Fed, que podem dar pistas sobre o humor dos dirigentes e o timing dos próximos passos.
Só que essa alta do ouro tem pé de barro. A galera está confiante de que o atrito entre EUA e Irã caminha para uma solução, com a diplomacia rendendo e a última rodada acontecendo em Doha, no Catar, na semana passada. O Estreito de Ormuz foi desbloqueado e o fluxo de navios voltou a crescer, sinal de que o Golfo Pérsico está normalizando. Menos tensão significa menos gente correndo para ativos-refúgio, e o ouro é justamente um deles. O JPMorgan reforça esse cenário: projeta o metal em torno de 4300.00 no terceiro trimestre e perto de 4500.00 no quarto.
Análise técnica
O par tenta se firmar acima da linha média das Bandas de Bollinger, mas as faixas apontam para baixo, o que pesa a favor dos vendedores. O histograma MACD segue estável no campo negativo, mantendo o tom de fraqueza. Já o Estocástico aponta para cima, mas está encostando na zona de sobrecompra, o que não descarta uma reversão logo ali na frente.
Níveis de suporte e resistência
Resistências: 4375.00, 4687.50, 5000.00.
Suportes: 4062.50, 3750.00, 3593.75.
Cenários de trading
Short: abrir abaixo de 4062.50, com alvos em 3750.00 e 3593.75, stop em 4230.00. Prazo de 5 a 7 dias.
Long: abrir acima de 4375.00, com alvos em 4687.50 e 5000.00, stop em 4150.00.
Cenário mais provável: o short leva vantagem. A subida atual apoia mais no dólar fraco do que em força própria do ouro, e o pano de fundo de alívio geopolítico tira demanda dos refúgios. Some a isso Bollinger apontando para baixo, MACD negativo e Estocástico esticado, e o quadro pende para uma retomada da queda enquanto 4375.00 não for rompido.
Conclusão
O ouro está por cima, mas quem manda no momento é o dólar, não ele. Enquanto o Fed não mostrar a cara nas atas e o Golfo seguir calmo, essa alta parece mais um respiro do que uma virada. A questão é saber se o gráfico vai confirmar a força ou lembrar que o caminho de menor resistência ainda aponta para baixo.