A libra deu uma boa esticada e está batendo em 1.3368 na sessão asiática, o maior nível desde 17 de junho. O motivo? A galera ficou de olho no discurso do Andrew Bailey, chefe do Banco da Inglaterra, no fórum anual do BCE em Sintra.

E o recado foi claro: por enquanto, ninguém no BoE está pensando em cortar juro, mesmo com o petróleo já tendo voltado aos níveis pré-crise. Bailey lembrou que a expectativa de um tom mais suave até fazia sentido, mas saiu do radar em março. Hoje o mercado ainda aposta cerca de 75% de chance de mais um corte de 0,25 ponto lá na frente. O ponto é que o BoE não quer se apressar. Quer entender direito como a crise de energia vai bater na economia britânica no médio prazo, uma economia que, segundo o Goldman Sachs, roda uns 6% abaixo do que poderia se o Reino Unido tivesse ficado na UE. O banco aponta comércio externo, investimento empresarial e mercado de trabalho como os três canais onde o Brexit mais doeu, com o investimento das empresas praticamente parado desde o referendo e uns 10% atrás de economias comparáveis.

Do outro lado do Atlântico, os dados de emprego dos EUA reforçaram o clima. Junho trouxe só 57 mil vagas novas, bem abaixo das 110 mil e 129 mil que se esperava, e as revisões de abril e maio somaram menos 74 mil. O desemprego até caiu de 4,3% para 4,2%, mas por um motivo torto: gente saindo da força de trabalho. Resultado, o mercado passou a apostar mais numa flexibilização do Fed, e isso ajudou a libra.

Análise técnica

O par está testando 1.3366 (Murray 3/8), mas o nível que interessa mesmo para os touros é 1.3427 (Murray 4/8). Romper ali provavelmente vira a tendência e abre caminho para cima.

Nas Bandas de Bollinger, as faixas apontam para baixo, sinal de que o fôlego vendedor ainda não morreu. O histograma MACD vem encolhendo na zona negativa, e o Estocástico chegou na área de sobrecompra, ou seja, pode reverter a qualquer momento. Os indicadores, no conjunto, deixam a porta aberta para uma retomada de queda.

Níveis de suporte e resistência

Resistências: 1.3427, 1.3549, 1.3671, 1.3870.
Suportes: 1.3305, 1.3183, 1.3061, 1.2939.

Cenários de trading

Short: abrir abaixo de 1.3305, com alvos em 1.3183 e 1.3061, stop em 1.3380. Prazo de 5 a 7 dias.

Long: abrir acima de 1.3427, com alvos em 1.3549 e 1.3671, stop em 1.3340.

Cenário mais provável: o short leva vantagem no curto prazo. O preço está esbarrando em Murray 3/8 com Estocástico esticado na sobrecompra, Bollinger apontando para baixo e MACD ainda negativo. Enquanto 1.3427 não for rompido, o quadro técnico pesa para uma correção, mesmo com o macro dando suporte à libra.

Conclusão

A libra está firme, mas por ora vive mais do enfraquecimento do dólar do que de força própria. Bailey comprou tempo, o Fed é quem parece prestes a mexer primeiro, e é essa diferença de ritmo entre os dois bancos que segura o par no alto. A pergunta que fica é simples: quando a poeira macro assentar, o gráfico vai confirmar essa subida ou lembrar que 1.3427 ainda não caiu?

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